quinta-feira, 5 de junho de 2014

Chamego de bailado

 
 
Ei, menina do bailado,
Cola em mim nesse xaxado
Engoda a perna, troca o passo
Eita, menina, que eu te levo no braço
Eita, menina, me leva no teu cheiro
Dá, dá, dá
Dá ligeiro bem de manso
Um beijo no meu peito
Não te esqueces que te quero
A noite toda, o dia inteiro
Cola em mim pro suor escorrer
Cola, que é pro tempo não perder
Fica assim, bem desse jeito,
A noite toda, o dia inteiro.

sábado, 31 de maio de 2014

A presa


Morena, morena louca
de dente nervoso,
de coxas e de força,
mostra-me teu olho
de tigre moça,
fere-me o dorso
e esmaga-me a boca
na efusão do gozo.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Noturno


 
 
O sorriso que tua boca cheia de dentes abre
Esconde a carne podre de que é feito o teu ser.
E os dentes não são dentes. Chegai mais perto:
São presas afiadas como gumes.
Gestos, carícias, abraços e palavras
Emanam de ti com o mesmo horror fétido de tua alma.
Aliás, palavras são o que te falta,
Ou, mesmo tendo-as, não as quer ofertar
Pois preferes o silêncio
                                   sonso
                                           sem-sal
O silêncio que não te traga
à luz das verdades,
deixando-te, ser, recôndito na sombra
do canto escuro dum quarto
E é lá que queres estar!
Bem ao canto
Com tuas máscaras
Teus flagelos
 
E o crepúsculo permanente de si mesmo.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Trovas à morena


I

A morena bela-bela
Cujo lábio é de carmim
Dá-me, Deus, casar com ela
Dá-me, Deus, toda pra mim.

II

A morena, a qual eu amo
Nem se lembra do amado
Mas se vou lhe acarinhando
Já pede: - Quero um bocado!

III

Boca linda da morena,
Não me nega de beijar-te
Tem de mim alguma pena
Pois assim meu peito parte.

IV

Em sensuais remelexos,
Vais e deixa-me esquecido
E por ti caem os queixos
Quando o ar sobe o vestido

V

A morena quer caju...
- Sobe tu, mesmo de saia,
Prometo que a ti seguro
Fico de olho, caso tu caias!

VI

A morena, um dia, então,
Vendo que muito penei,
Pôs no seio a minha mão
Pediu beijo e eu beijei.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A menina e a lua


(a Rosângela Pinheiro)

- Vamos morar na lua?
Pergunta a menina de olhos sapecas e de sorriso fácil
aos homens que passam sisudos naquele fim de tarde crua.
Todos a olham desconfiados da proposta, mas, ágil,
a menina toma os céus com a leveza das aves,
perfila todo o horizonte que era anil,
contorna o sol laranja que descai.

E partiu para a lua!
Gostava de lá porque não havia noites nem dias,
apenas a lua que era toda sua
e as estrelas que eram suas guias.
Amava sujar-se, rolando na poeira lunar,
pegava carona na cauda dos cometas que passavam raspando, 
girava em mil cambalhotas sem cansar,
e plantava girândolas nas estrelas, cantando.

Às vezes, porém, lembrava-se cá da Terra,
olhava e via os mesmos homens sisudos.
Apiedava-se deles e pensava: - Quem dera!
Se um dia, ainda, eles viessem morar na lua...    

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Palavras? Palavras? Nenhuma? Onde estão, agora que lhes preciso...?



Caros amigos seguidores e leitores casuais de meu blog,


   O momento mais feliz para aquele que escreve é o do reconhecimento de seu trabalho, de sua escrita. Vencer o 2º Concurso Literário Pague Menos - Brava Gente Brasileira, foi um passo muito importante para mim. Só em entrar para a coletânea já seria motivo de enorme felicidade, afinal, uma publicação! Mas saber que, dentre tantos belíssimos poemas (já constatei vários lendo o livro), o meu foi aquele que mais agradou ao júri é um motivo pelo qual me permito alguma vaidade neste dia e, por isso, posto o meu poema a seguir. Eu disse alguma vaidade, sim, mas sem nunca perder de vista a simplicidade da vida, da poesia, e por que não, das tantas Marias espelhadas neste poema. Salve! Ave, Ave Marias!

Ladainha - poema vencedor do 2º Concurso Literário Pague Menos, cujo tema foi BRAVA GENTE BRASILEIRA




Ave Maria
que bem cedo se levanta.
Bendita és tu entre as da feira,
bendito é o fruto - e a verdura - que lá vendes.
Santa Maria, mãe de cinco,
que nunca desiste da labuta,
ainda que a vida lhe seja dura.
Ave Maria, levanta a caixa,
tira o legume e arruma a bancada.
Ave Maria, pesa o feijão,
separa-o em quilos e ajusta a balança.
Ave Maria, empilha os fardos,
apronta o caldo e atende o menino;
o dia de hoje é tudo o que tens.
Rogai o impossível pelos teus cinco filhos,
agora e na hora de enquanto viveres.
Santa Maria! Já se vai o sol,
leva pra casa o pão do dia.
Vai bem ligeiro, que a noite é curta.
Ave Maria
que bem cedo se levanta
Bendita és tu entre as da feira
Bendito é o fruto - e a verdura - que lá vendes.
Santa Maria, mãe de cinco...