Teu
corpo é como a água,
Que
escorre pela minha rochaE toca suave as algas negras
Presas à pedra.
E enquanto tu deslizas em mim,
Feres a encosta do monte que sou
E fissuras com as garras de uma loba
A superfície antes em repouso.
Na sede de morrer de viver,
Sangras-me a terra
E bebes meu sangue,
E bebes minha seiva.
Teu corpo aqui não é mais água,
É flor odorífica,
Que exala sobre a montanha
O seu perfume cítrico.
Quando se abre
Às minhas manhãs,
Recebe o meu sol em seta,
E a minha chuva ardente,
E a carícia de meus suaves ventos
No contorno das pétalas.
Fertilizo-te,
oh flor com garras de loba!
Dou
à tua raiz os meus nutrientes,Enquanto tu te entregas ao meu sol,
Vibrando trêmula teu frágil caule,
Abrindo em pétalas um sorriso nervoso
E abandonando-se no êxtase final,
Depois de uivar e tombar
sobre o meu chão firme em sangra,
revolto pelas tuas unhas ferozes.